Maria é uma menina doce e delicada, muito simpática, dessas
que estão sempre com um sorriso estampado em face. Garota muito
prendada e religiosa, dessas que costumamos falar que é menina de família.
Morena, magrinha e pequena, com dois olhos sempre brilhando que pareciam dessas
bolinhas de vidro, e bem pretos.
Devido
a toda sua simpatia e beleza Maria possuía muitos amigos, porem um em especial,
a quem ela chamava de melhor amigo. Juliano garoto tímido, porem muito
prestativo e sempre disposto a ajudar, do tipo bem companheiro mesmo. Com ele
Maria dividia seus segredos mais profundos. Ele muito tímido nunca teve coragem
de contar seu segredo, de que por ela era extremamente apaixonado. Sempre que
Maria contava que estava afim de um garoto, Juliano ficava de coração partido,
mas de mãos atadas pela timidez, o que sempre fazia era aconselhar a amiga.
Uma
coisa que sempre chamou a atenção de Juliano foi que Maria sempre buscou um
amor com características como a dele, porem acabava sempre se decepcionando ao
saber que o garoto não era nada daquilo que ela pensava. E o que servia como
alento para Juliano e que ele sempre soube que Maria procurava um amor sincero,
e que não era dessas que fica por beleza apenas (logicamente meninos bonitos
chamavam a atenção dela), e que ela esperava o garoto certo aparece em sua
vida.
Em uma
quarta feira, logo após um feriado prolongado no qual tinha passado na casa de
sua avó em uma cidade vizinha, Maria encontrou Juliano no inicio da aula e toda
sorridente disse que precisava conversar com ele. No exato momento o garoto viu
que ela estava diferente, ele engoliu uma áspera saliva naquele momento e com
olhos querendo encher d’água, mas se segurando (Já prevendo o pior) ele disse
que tudo bem.
Quando
toca o sinal do final da aula, Juliano que já esperava Maria na escada em
frente ao colégio se fazia de forte. Então Maria toda ansiosa e sorridente
encontra Juliano, da lhe um abraço apertado, e diz: que saudade, amigo. Ele retribuiu o abraço apertado a deu um
sorriso amarelo, e foram caminhando em direção a casa dela, enquanto isso ela
contava o que acontecera no feriado.
Contou
que conheceu Gabriel, garoto lindo, educado, simpático, que a deixou totalmente
apaixonada. Ela disse também que ele era um conhecido da família, frequentava a
igreja, e finalizou com o dizer de que este era o homem pra casar. Falou
brincando logicamente, mas era perceptível que ela jamais havia sentido isto
por nenhum outro menino. Ao terminar de contar ela percebe que corre uma
lagrima no rosto de Juliano, imediatamente ela pergunta o que acontece, ele
desconversa e diz que é um problema com a mãe... Mas esta tudo bem, e ela não
precisa se preocupar. Então mesmo sofrendo e estraçalhado por dentro, na frente
da casa dela ele da um abraço e tira lá do fundo um “vai fundo” bem oprimido.
Três
meses depois Maria conta para Juliano que Gabriel estava começando a forçar a
barra, dizendo que ela era a mulher da vida dele e tudo, mas, para poder
conseguir a primeira transa. Por seus princípios religiosos ela não estava afim
e achava que estava muito cedo. Juliano então diz a ela que ela não deve
continuar com uma pessoa que não respeita o tempo dela, e também cria coragem e
diz que é loucamente apaixonado por ela. Maria não entende o que Juliano quer,
e acha que ele não pode estar apaixonado, por que são amigos dês de sempre... E
ele deve esta apenas confundindo o sentimento. Ele então diz que dês de sempre
foi apaixonado, mas que mesmo ela não querendo nada além da amizade, para ele
ser amigo já estava ótimo. Mas aconselha que ela rompa o romance, porque
Gabriel não a respeitava...
Indignada
com o amigo e sem compreender que ele apenas queria protegê-la de algo pior,
ela discute dizendo que ele não acreditava que ela poderia se segurar, e que
não iria ceder às vontades do namorado... E disse que não precisava da amizade
de uma pessoa que não confia em sua força. E não dava para ser amiga de alguém
que estava apaixonada por ela, porque ela não mais conseguiria velo com os
mesmos olhos...
Então
se passaram seis meses sem que eles trocassem palavras, a não ser
cumprimentos...
Em uma
manhã de sábado, nas gélidas férias que fazem no rio grande do sul no mês de
dezembro. Juliano passeando de bicicleta encontra Maria enfrente a uma clinica
medica antiga... Quase caindo aos pedaços, sentada no meio fio chorando. Ele um
pouco sem jeito, pois já se fazia meses que não conversavam, criou coragem e
foi saber o que estava acontecendo... Ela aos soluços, diz que esta criando
coragem, ele pergunta coragem para que? Ela diz: lembra do Gabriel? (Juliano
apenas balança a cabeça em sinal positivo) ele me levou em uma festa há umas
duas semanas, ele ficou insistindo para que eu bebesse, decidi beber, mas não
muito. Lembro-me pouca coisa daquela festa, lembro apenas que ele estava
estranho, que brigamos e eu decidir ir embora, quando me estava saindo ele
correu atrás de mim e me pediu desculpas, eu estava chorando, mas acabei o
perdoando. Ele me ofereceu uma bebida
para que parasse de chorar. Eu aceitei, e voltamos para a festa... A partir daí
não me lembro de mais nada... Apenas que no outro dia acordei em um hotel com
ele do meu lado... Brigamos, e fiquei uma semana sem conversar com ele... Mas percebi
que minha menstruação deveria descer naquela semana, e ela nunca havia
atrasado. Então antes de ligar para ele decidi procurar um medico. Que me disse
que estava esperando um filho. Sai daquela clinica em estado de choque, não sei
descrever o que sentia naquele momento, peguei meu telefone liguei para o
Gabriel e pedi que me encontrasse em uma sorveteria perto da casa de minha avó.
Contei a ele tudo que estava acontecendo, ele sem dizer uma só palavra tirou do
bolso ao se levantar um talão de cheque assinou e me mandou tirar, e ele não
queria saber o preço e que eu poderia preencher em qualquer valor. E hoje estou
aqui... Mas sei que não tenho direito de fazer isto com uma vida, mas ao mesmo
tempo sei que não conseguiria criar um filho sozinho, você me conhece sabe como
minha família é pobre.
Então
Juliano se levanta pega em sua mão e lhe da um abraço longo, diz em seu ouvido
como ela fez falta neste semestre. E nisso no outro ouvido ela ouvia uma voz
confortante, que ela ouvia tão perto, mas ao mesmo tempo tão distante, e esta
voz dizia que tudo iria se resolver, sempre nos momentos difíceis um anjo estaria
ali para segurar a mão dela. Neste momento Juliano pegou em sua mão tomou o
cheque e rasgou.
Maria
então pergunta como alguém que ela havia tratado de modo tão amargo poderia
ainda fazer-lhe algo tão bom. Ele suspirou, disse que Deus havia o criado para
tal. Uma ultima lagrima corre no rosto de Maria neste momento, ela da um
sorriso e um beijo em
Juliano. Juliano então assumiu o filho e o criou como se
fosse seu, e ainda o amou mais do que um pai pode amar um filho.
Hoje 17 anos depois, estou aqui neste triste momento para
contar a historia deste homem... Ou melhor, deste anjo que segurou na mão de
minha mãe nos momentos mais difíceis de sua vida. E hoje com certeza nos aqui
reunidos envolta deste caixão lamentando a sua partida, no céu hoje os anjos
fazem festa pela volta de seu irmão.
(Rafael Paz Madureira)
(Rafael Paz Madureira)
Um comentário:
Muito bom texto =D
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